Artigo Paulo Mendes da Rocha – André

Nos novo cenários de competitividade em busca de atratividade aos investimentos e a moradores mais categorizados, as cidades vêm buscando qualificações que as façam se destacar das demais, investindo na criação de condições de meios tecnológicos e educacionais, qualidade ambiental urbana e bem-estar individual e familiar. O dirigente contemporâneo não mais se limita aos aspectos administrativos de manutenção e ampliação da urbe, mas dedica-se também à estratégia planejada e à postura de fomentos e divulgação que destaquem a sua cidade perante as demais. 

Um dos componentes dessa estratégia é a formação da identidade que facilite o processo de inserção no fluxo global – não mais como cidades acidentais, mas como cidades intencionais. Algumas cidades são dotadas de atributos predispostos naturais, culturais e históricos atrativos, outras buscam nos elementos construídos a criação dessa imagem identitária fundamental para esse destaque.

A adequada imersão da arquitetura na paisagem urbana resulta na sincronia sinérgica visual que potencializa essa identidade: não há como desvincular no imaginário a figura da Torre Eiffel de Paris, da Estátua da Liberdade de Nova York ou do Opera House de Sydney. Mesmo o Rio de Janeiro, com o seu arrebatador cenário natural, tem no nonagenário Cristo Redentor um dos elementos de identificação mais lembrados. A região metropolitana de Bilbao teve no Museu Guggenheim de Frank Gehry o elemento catalisador  da sua revitalização. Essa estratégia tem sido adotada por diversas cidades: na Espanha, Avilés construiu o Centro Cultural de Oscar Niemeyer e Oviedo o Palácio de Exposições e Congresso de Santiago Calatrava.  

O Espírito Santo, Estado relevantemente voltado para as relações internacionais graças ao seu papel portuário, pode vir a ter a excelente oportunidade e privilégio de construir essa identificação com a realização do majestoso projeto de Paulo Mendes da Rocha, o Cais das Artes. O Arquiteto e Urbanista, capixaba de origem, é mundialmente reconhecido por suas icônicas obras através das mais importantes premiações, títulos e homenagens nacionais e internacionais. 

Além do simbólico, o Cais das Artes nos inserirá nos circuitos das grandes apresentações musicais e artísticas e das mais importantes exposições, motivando e incentivando a formação de talentos locais que alcançarão projeções nacionais. 

Vitória precisa habilitar-se na perspectiva de cidade agradável, com ambiente urbano acolhedor e oportunizante, que seja competitiva mas propicia aos moradores o ócio e o prazer, com identidade visual e cultural forte e cidadania participativa. Essa imagem trará efeitos benéficos multiplicadores nos próximos momentos após a pandemia, em que estarão sendo reavaliados os valores quanto à moradia, às relações com o trabalho, à família e ao corpo.  

12/10/2021 

André Tomoyuki Abe 

Professor aposentado do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFES

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *