Desenvolvimento das cidades com edifícios tombados

Edificações tombadas podem ser ocupadas por novos empreendimentos, novos usos? – Compreender a lógica do investimento imobiliário pode ser complexo, mas precisamos analisar os fatos para que novos hábitos comecem no mercado, profissionais e comunidades. Mas para a pergunta acima, a resposta é simples: Prédios antigos e históricos podem e devem ter investimentos tanto quanto ocorre para novas construções.

Se olharmos as regiões centrais das metrópoles brasileiras, constatamos arquiteturas dos séculos XVIII, XIX e XX, em ruim ou péssimo estado de conservação, desde casas até igrejas. Essas construções auxiliam na construção de identidade das cidades, na sensação de pertencimento das pessoas e geram receita com o turismo.

O uso destas edificações muda a concepção de desenvolvimento de áreas urbanas, renova os modos de vida das comunidades em geral. O investimento em áreas históricas e em edifícios históricos isolados reafirma o cuidado com a proteção da cidade, da história e do meio ambiente, principalmente nos tempos atuais, vide a emergência em buscarmos um estilo de vida mais sustentável.

A lógica do investimento imobiliário precisa mudar, é necessário alterar o rumo destes investimentos, pois equilibraremos o crescimento das nossas cidades, tendo em vista a não necessidade de construção de novos edifícios após a demolição de edifícios já existentes. É importante renovar, mas com proteção da história das cidades e do meio ambiente.

O tombamento é uma ferramenta de apoio e proteção a estas edificações, e quando bem empregado torna-se também ferramenta potencializadora do desenvolvimento social e ambiental. Mas ao se iniciar um processo de tombamento, o debate pode começar de uma forma equivocada, logo se vem à seguinte retórica: “tombar pra quê?”; “vai atrapalhar investimentos?”…

Sim, infelizmente temos áreas históricas importantes, que para muitos, se prestam apenas à demolição para dar lugar a novas obras cheias de vagas de garagem e salas comerciais. Mas já pensou que é possível a adaptação do imóvel antigo para dar lugar a usos diversos?

Em Vitória, acontece o tombamento provisório dos Galpões do IBC em Jardim da Penha, proposto pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-ES), no qual sou conselheiro, e votado por unanimidade no Conselho Estadual de Cultura. O debate é uma ótima oportunidade para a consolidação de novas ideias, entretanto, muitos julgam o processo de maneira pejorativa e equivocada.

O tombamento é bom e necessário. A falsa negativa dele ocorre devido à lógica do desenvolvimento sobre a retirada do velho, o que é reforçado pelos investimentos voltados apenas para determinados projetos que isolam as pessoas na cidade.

Precisamos rediscutir os investimentos, precisamos parar de transformar as edificações antigas em resíduos. Reaproveitar, revitalizar, e investir em nossa história. Já funciona em tantos outros países, por que não no Brasil?

 

Otavio de Castro, Arquiteto e Urbanista e Conselheiro do IAB-ES.

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